A Importância da Ética na Educação - Revista Núcleo do Conhecimento (2022)

ARTIGO ORIGINAL

BASTOS, Manoel de Jesus [1]

BASTOS, Manoel de Jesus. A Importância da Ética na Educação. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 05. Ano 02, Vol. 01. pp 264-276, Julho de 2017. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/etica-na-educacao, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/etica-na-educacao

RESUMO

A finalidade do presente artigo é refletir sobre a importância da ética na educação e como a escola e a família poderiam contribuir para que a sua essência fosse expandida em todos os setores sociais. É preciso que haja um comprometimento aprofundado com a qualidade da formação dos indivíduos, para que se efetive os princípios da moralidade e da prática de valores. A consolidação da cidadania só acontece a partir do momento em que os valores éticos forem colocados em prática. Nessa perspectiva, o comportamento social do indivíduo deve gerar em torno dos princípios e valores da sociedade. O trabalho ético é aquele que globaliza a sua prática cotidiana com reflexões que proporcionem o equilíbrio do pensamento e a prática de ações norteadoras.

Palavras-chave: Ética, Moral, Sociedade, Cidadania.

1. INTRODUÇÃO

Diante do conjunto de problemas que a educação vivencia atualmente, a valorização da ética no currículo escolar seria um dos parâmetros mais considerados para o equilíbrio social. A sua presença torna-se necessária tendo em vista a imprescindibilidadede sua orientação para a nova realidade na vida social e por saber que ela encontra-se sempre presente nas discussões relativas ao comportamento humano.

A pesar de serem distintas a ética e a moral são indissociáveis, pois possuem significados comuns e apresentam-se inseridas na mesma pasta dos valores humanos. É um dos grandes pilares de preocupação, reflexão e discussão entre indivíduos para o discernimento entre o certo ou o errado e que deve sinalizar o conciliamento dos interesses tanto individuais quanto sociais.

Nenhuma sociedade ganharia progressão ascendente se não fosse levado em conta um conjunto de princípios ou normas que delineassem o comportamento socialmente ajustado como ético. No entanto, o trabalho ético é aquele que globaliza a sua prática cotidiana com reflexões que proporcionem o equilíbrio do pensamento e a prática de ações norteadoras. A ética na prática pedagógica, por exemplo, tende a valorizar os conhecimentos dos educandos e harmonizar a convivência entre todos que ali encontram-se inseridos.

Por se considerar a ética um conjunto de valores que norteiam o comportamento humano, em relação aos outros, na mesma sociedade em que vive, esta deve ser instituída nos estabelecimentos de ensino com o objetivo de formalizar o bem – estar social. Raras são as vezes em que a ética tem sido discutida de maneira explícita no currículo pedagógico.

A ética é a teoria ou a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade, ou seja, é a ciência de uma forma específica de comportamento humano. (…) enquanto conhecimento científico, a ética deve aspirar a racionalidade e a objetividade mais completas e, ao mesmo tempo, deve proporcionar conhecimentos sistemáticos, metódicos e, no limite do possível, comprováveis. (VASQUEZ, 2003, p. 23)

Portanto, apregoar a ética no espaço pedagógico é, ao mesmo tempo, oferecer desafios no segmento do ensino-aprendizagem em busca de supostas atitudes críticas. Isso proporcionaria condições para o avanço do desenvolvimento social e autonomia dos educandos além de oferecer-lhes capacidades de posicionamento mediante ações coletivas realizadas.

Comunga-se com MORETTO, 2001, quando diz: “A ação do educador deve pautar-se na ética profissional vista como o compromisso de o homem respeitar os seus semelhantes, no trato da profissão que exerce…” Com essa afirmação, conclui-se que a tarefa pedagógica exige ética, uma vez que a mesma representa um compromisso político-social, relações recíprocas e respeito ao conjunto de normas e regras sociais.

Infelizmente há uma grande ausência de eticidade nos vários setores da sociedade hodierna, inclusive no educacional e profissional, gerando, assim, grande preocupação por saber que a ética é de fundamental importância em todos os âmbitos sociais. Logo, a sua presença faz-se necessária diante da necessidade dos indivíduos para um comportamento aceitável na vida social.

2. ÉTICA E MORAL NO AMBIENTE ESCOLAR

Tanto a ética quanto a moral são assuntos que devem ser trabalhados no ambiente escolar com o intuito de nortear o comportamento dos indivíduos na sociedade em que vivem. Por ser a escola a verdadeira formadora de cidadãos, cabe-lhe a tarefa de orientar o comportamento ético e moralista dos seus educandos. A partir do momento em que o indivíduo não adulterar documentos ou produtos para obter vantagens, tratar as pessoas com respeito, não falar palavrões etc., estaria cumprindo com as normas da ética e da moral adquiridas na instituição educacional.

(Video) Filosofia da Educação - Ética e Educação

Os temas “ética e moral” são normas que necessariamente deveriam estar inclusas nos Projetos Políticos – Pedagógicos (PPPs) e nos Regimentos Escolares (RE) para que fossem disciplinados ao longo dos estudos, sentenciando assim, o fim das desigualdades sociais. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a questão central da moral e da ética é desenvolver uma visão crítica nos educandos, de como proceder diante dos outros.

O cumprimento da ética torna-se, às vezes, complexo diante de um dilema. Por exemplo: Dever-se-ia roubar ou não um remédio, cujo preço é inacessível, mas precisar-se-ia salvar alguém, e que, sem ele, morreria? Quem deveria ser privilegiado, a vida ou a propriedade privada? Esses desafios deveriam ser apresentados aos alunos para discussões a respeito do cumprimento ético no contexto histórico social. “Uma escola ética é aquela que orienta os seus educandos a se comportarem com honestidade, retidão e responsabilidade para a efetivação dos princípios morais na sociedade em que eles encontram-se inseridos.” (Grifo nosso)

Admite-se que a ética esteja consagrada no bojo da família, da escola e da comunidade por ser a base de uma sociedade mais justa e igualitária e que, portanto, carece de um olhar humano mais aprofundado, pois ela é uma forma racional humana de viver em harmonia com outros humanos.

Nossos educandos devem ter em mente a importância do caráter democrático da sociedade, levando em consideração a promoção da liberdade, do respeito e da tolerância para vivenciar a diversidade que lhes rodeia. Nesse contexto, cabe a escola orientar e viabilizar meios que possam, de fato, tomar parte nessa construção e tornarem-se livres para pensarem e tomarem decisões.

A reflexão ética traz à luz a discussão sobre a liberdade de escolha. A ética interroga sobre a legitimidade de práticas e valores consagrados pela tradição e pelo costume. Abrange tanto a crítica das relações entre os grupos, dos grupos nas instituições e perante elas, quanto a dimensão das ações pessoais.” (PCNs, p. 29-30. 2001)

Todavia, a ética norteia os princípios morais e os valores necessários aos indivíduos em suas ações com outros membros da sociedade da qual fazem parte. Com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, uma reflexão realizada pela ética refletirá na transformação da moral. Não se poderia fazer cidadania se fosse deixado de lado a ética, e o lócus propício para o seu aprendizado e o seu exercício, é a escola. Cabe a escola trabalhá-la no seu âmbito, ensinando e exigindo a sua prática, propiciando assim um resultado qualitativo.

A reprodução de valores impostos pela sociedade está sempre sendo feita com as orientações do que é certo ou errado. Atualmente, é comum assistir-se a noticiários de comportamentos reprováveis pela sociedade. E aí pergunta-se: Será que ainda existe uma sociedade que valoriza a ética e a moralidade? Quais expectativas se têm das futuras gerações?

3. A ÉTICA NO AMBIENTE PROFISSIONAL

Na área profissional, a ética tem o objetivo de formar uma consciência livre e conduta compatível com os preceitos estatutários. Algumas qualidades como honestidade, competência, perseverança, prudência, respeito, imparcialidade entre outras, são virtudes essenciais para a eficiência do trabalho profissional. É preciso que se tenha a responsabilidade individual para a realização de certas tarefas. As vezes, seria melhor o recusamento e a justificativa da inviabilidade de um trabalho que não pudesse ser executado, do que uma vez aceito, deixasse-o à desejar.

A ética exige a honestidade para o zelo da prática do respeito e consideração ao direito do outro. O indivíduo comprometido com a ética não se deixa corromper, em nenhuma circunstância, mesmo que conviva com problemas ao extremo. Na área profissional, a prudência é imprescindível para que o sujeito analise as situações, minuciosamente, e com maior profundidade evitando, assim, atropelamentos e julgamentos conflituosos ou equivocados.

Contudo, praticar a ética é, ao mesmo tempo, praticar a imparcialidade e a justiça, pois a primeira assume as qualidades e cumprimento dos deveres e a segunda depende, essencialmente, da primeira. A ética é o pivô que dá sustentação e equilíbrio às tarefas profissionais no dia a dia e que, portanto, deveria estar presente em todos os setores da sociedade. Para ser ético, o profissionalismo exige a tomada de consciência dos atos, o cumprimento das normas e o respeito mútuo.

Admite-se que a ética apresenta grande influência na vida profissional de qualquer indivíduo, em meio a sociedade na qual ele opera a sua profissão. A ética é um resquício do que se aprende na família, responsável pela construção dos alicerces e definição de virtudes e caráteres do homem, ensinando como se comportar diante da sociedade. A liberdade do homem garante ações dentro dos limites exigidos pela ética e parte do respeito aos direitos dos outros.

Um profissional que não cultiva a ética, perde a confiança e a credibilidade no espaço social em que desenvolve as suas atividades. Portanto, deixa de ser um mero e autêntico profissional para ser um suicida da profissão, contribuindo para o descrédito irreversível. (Grifo nosso)

A família é o lócus da convivência da criança e, portanto, o espaço legítimo da apregoação da ética que, posteriormente, se ampliará, em outras instituições sociais com a veiculação de valores. A ética do indivíduo depende muito da relação social mantida com os demais dentro da sociedade que ele pertence. Trabalhá-la nas instituições educacionais faz parte do currículo, apesar de apresentar vários choques de valores e modos de comportamentos compartilhado por cada estudante.

Já faz parte do nosso vocabulário falar de ética profissional ou de sua ausência em meio a sociedade. Os seus benefícios são imensuráveis ao equilíbrio da harmonia entre os profissionais. Segundo Mário Cortella, a ética é um conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: quero? devo? posso? Pois nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve.

Quando um profissional (dentista) recebe um paciente e esse pede para extrair um dente que vem lhe tirando noites de sono e, após diagnosticar o problema, o dentista resolve recuperá-lo, ao invés de removê-lo, estaria honrando com a sua ética profissional. Esse é o sentido da ética na cidadania e o respeito ao outro na mesma sociedade. O conhecimento sem ética não faz sentido e tampouco efeito social.

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Todo profissional, ao concluir a sua formação, faz um juramento de honradez a sua profissão, que sinaliza a sua adesão, o seu comprometimento e a sua responsabilidade com a categoria. E ao cumprir com esse juramento o profissional estaria efetivando os seus princípios éticos dentro de sua área.

Enfim, o profissional ético é aquele que procura oferecer o melhor dos seus conhecimentos, como o médico que se preocupa com as suturas internas antes de realizar as externas, o professor que se preocupa com estratégias que propiciem ao aluno a pensar e resolver desafios, o engenheiro que demonstra certa preocupação com o melhor material para a construção da passarela, além de outras ações que objetivam a consumação de um trabalho seguro e de credibilidade. De modo que a ética efetiva ações e consolida metas que podem comprometer ou favorecer o sucesso desses profissionais.

O indivíduo ético procura sair de sua zona de conforto em busca das inovações e dos conhecimentos científicos, principalmente, de sua área, com o intuito de poder oferecer o melhor para sua clientela. Segue os princípios normativos e as regras estatutárias com competência, respeito, tolerância, flexibilidade e boas maneiras pois, as negligências observadas, atualmente, são frutos da passividade, do desconhecimento e da falta de compromisso.

De forma que a ética passa a ser algo indispensável na vida profissional do homem, tendo em vista a sua contribuição no processo de humanização e norteamento de conduta e de valores. São esses valores que, uma vez relacionados aos interesses do indivíduo, movem seus atos positivamente. É imprescindível, portanto, que todos os profissionais das mais diversas áreas, questionem o sentido de suas ações em suas práticas de trabalho.

4. ÉTICA E CIDADANIA

Entende-se que a ética dedica-se aos estudos dos valores morais e os princípios do comportamento humano perante a sociedade, garantindo o bem – estar social do cidadão. Não poderia haver cidadania se a ética deixasse de ser cumprida. O cidadão ético é aquele que sabe buscar os seus direitos e os seus benefícios sociais em conformidade da lei.

A ética deve ser compreendida como crítica reflexiva e responsável pela conduta humana em todos os setores sociais. Ela é histórica e construída socialmente, tendo como base referencial as relações humanas coletivas. Segundo SOUZA,

A ética situa-se no campo dos princípios morais e dos valores que orientam os homens em suas ações, tomando como referência outros indivíduos de determinada sociedade. Sendo um produto histórico social, a ética ilumina a consciência humana à medida que “[… sustenta e dirige as ações do homem, norteando a conduta individual e social […] e define o que é a virtude, o bem ou o mal, o certo ou o errado, permitindo ou proibindo, para cada cultura e sociedade.” (SOUZA, 1995, p. 187)

É percebível que a ética procura equilibrar a conduta do cidadão, do profissional e, principalmente, do político, suscitando nesses indivíduos uma profunda reflexão, incitando-os ao cumprimento da responsabilidade e a realização de previsões das supostas consequências resultantes de suas decisões. No mundo globalizado e nos países capitalistas onde há a ganância desenfreada e o imensurável egocentrismo, cresce, substancialmente, a necessidade das instituições educacionais contribuírem com a formação integral dos indivíduos e, portanto, com o favorecimento da construção da ética dos sujeitos.

Considera-se que além da família, a escola é o espaço extremamente propício para a formação ética do cidadão, tendo em vista, que ela participa da formação dos seus educandos, explicitando regras e valores através dos professores, do material didático pedagógico, do comportamento e da hibridização de costumes e saberes dos alunos. A ética é, pois, um objeto de reflexão que contribui com o convívio da pluralidade em todos os setores públicos, inclusive nas instituições educacionais, principais formadoras da cidadania.

Na medida em que os anos passam, no mundo globalizado, nos países capitalistas e das tecnologias de ponta, observa-se, com frequência, o rompimento das ações e o atropelamento à dignidade humana sem nenhum receio ao descumprimento da ética. No entanto, para que a dignidade seja imposta e a cidadania efetivada, faz-se necessário que a ética seja buscada, uma vez que ela exige a apregoação do respeito mútuo, da justiça, da solidariedade e do diálogo. A dimensão da ética favorece a plena formação e construção do sujeito cidadão permitindo-lhe compreender a sua importância como membro social.

O cidadão que exerce sua ética, preserva a estreita relação humanizadora em seus diferentes contextos – econômico, político, social, educacional etc., além de assumir o caráter da cidadania coletiva. Viabilizar a educação ética é, ao mesmo tempo, proporcionar aos educandos o combate ao preconceito e a discriminação de vária naturezas, valorizando o diálogo com os presentes em seu meio social.

A ética de um indivíduo é sempre observada e admirada pela sociedade a que ele pertence pois, ele procura fundamentar as suas ações morais de acordo a razão. Contudo, em meio a essa gama de influências, atitudes e comportamentos negativos e corrompedores vivenciados no ambiente hodierno, a ética deve apresentar-se bastante consistente para não se desnortear.

Para refletir: Será que poderia criticar-se os outros, uma vez que não age-se com os princípios éticos ou morais? Segundo o juiz federal Sérgio Moro, “quando se tem a oportunidade de furtar… não se perde a oportunidade. Como base nos problemas da Lava Jato ele assegura que os políticos de hoje foram oportunistas no passado e se não for mudada a estrutura de valores de nossa sociedade com a busca da ética e da moral como pilares do comportamento, nunca seremos um povo realmente honesto e justo.”

A partir do momento em que se chega a uma fila e que procura-se atendimento antecipado, sem nenhuma justificativa de prioridade, “jeitinho brasileiro”, estaria, de certa forma, descumprindo com o dever social e ao mesmo tempo asfixiando a norma ética. Da mesma sorte, quando recebe-se um troco com erro de superávit e não preocupa-se com a sua devolução, uma vez que o princípio ético exige que não se deve pegar ou usufruir aquilo que não lhe pertence, aconteceu a burlação da eticidade. Semelhante as quebras de regras de uma instituição, que deveriam ser discutidas apenas no lócus ou o apunhalamento a terceiros quando esses não se fazem presentes pra se defenderem.

Contudo, está nitidamente percebível que a ética é algo que se constrói ao longo da vida. Certas normas que, anteriormente, eram exigidas, atualmente passaram a ser cumpridas pelo reconhecimento de sua importância, como o exemplo do professor Cortella: quando o uso do cinto de segurança passou a ser de obrigatoriedade, alguns motoristas, para atropelar a lei, usavam camisas do Vasco, por apresentarem uma tarja preta e coincidir com o cinto, para confundir os agentes de trânsito. Hoje ao entrar no veículo, a primeira coisa que se faz é colocá-lo sem, no entanto, se precaver de multa mas da própria segurança. Portanto, conclui-se que a ética vai se construindo a partir da conscientização no dia a dia.

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5. A ÉTICA E A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO

Quando se fala de ética, refere-se a questão exclusivamente humana por que ela pressupõe, escolha e decisão. Ética tem a ver com liberdade, liberdade reflexiva e responsável. Ao tomar uma decisão, o indivíduo deve usar do conhecimento que possui porque o conhecimento tem a ver com a ética. Agir sem pensar nas consequências, é agir com máscaras cínicas e nessa hora o perigo se avizinha.

O indivíduo que tem a ousadia de buscar vantagens sobre o prejuízo de terceiros, aniquila os seus conhecimentos e burla a sua ética pessoal. É preciso que se tenha o cuidado para o zelo da integridade, mantendo-se inteiro, transparente e verdadeiro. Zelar pela ética é, ao mesmo tempo, zelar pela morada do humano pois ela oferece abrigo, garante identidade e sustenta a verdadeira marca do ser social.

Sendo a ética a habitação humana, questiona-se: Como encontra-se essa morada? Abriga ou desabriga? Inclui ou exclui? O vínculo da ética à produção do conhecimento relaciona-se a capacidade de descartar a ideia de desigualdade dentro da mesma sociedade. A percepção e a reflexão são os melhores exercícios da ética. François já dizia: “Conheço muitos que não puderam, quando deviam, porque não quiseram, quando podiam.”

Para que haja desenvolvimento educacional, para que se construa o autêntico conhecimento e para que se efetive o caráter do indivíduo em meio as pressões hodiernas resultantes do modo de viver, exigido pela sociedade, os valores éticos e morais são imprescindíveis. Somente com ações que direcionem esses valores à produção do conhecimento é que se propiciaria consumação da verdadeira cidadania. O comportamento do homem na sociedade depende da reflexão exigida pela ética sobre os sistemas morais produzidos por ele no dia a dia.

Atualmente há uma acentuada preocupação da sociedade brasileira, de como encontrar estratégias que possam, de fato, efetivar o respeito às diferenças e o combate a violência. Os casos de desrespeito, discriminação e outras ações violentas são realmente assustadoras e inaceitáveis numa sociedade que almeja os princípios éticos e morais.

A ética é um princípio de comportamento que deve estar presente na produção do conhecimento do indivíduo para que esse torne-se consolidado e compromissado com a cidadania. Se um motorista, por exemplo, aprendeu que não que não se deve ultrapassar a faixa contínua e ultrapassou, que não deve exceder a velocidade máxima permitida e excedeu, infringiu as regras de trânsito e feriu os princípios éticos e morais.

Exercer a ética é algo que requer certo esforço pois tem a ver com a prática da capacidade e da responsabilidade da pessoa. O conhecimento construído com ética torna-se muito mais consistente e eficaz além da consolidação de uma sociedade mais justa.

Se a ética é a ciência normativa que conduz ideais promissores dentro da comunidade, uma vez que o ser humano é um animal social, seria inútil compreendê-la como ciência para indivíduos isolados. Na verdade tudo o que o indivíduo produz ou realiza, reflete consequências que podem atingir outras pessoas.

No contexto social, da atualidade, é comum observar alguém querendo sobressair-se melhor em relação ao outro, sendo mais esperto, apegando-se ao jeitinho brasileiro e a muitas outras práticas indecentes e reprovadas pela cidadania. Essas atitudes ou maus costumes são características de uma sociedade que, pela ausência do respeito, do civismo e da consideração coletiva macula a verdadeira cidadania.

6. A PRÁTICA DA ÉTICA PARA O EXERCÍCIO DA CIDADANIA

A Constituição Brasileira de 1988, no seu artigo 205º e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, artigo 2º garantem: “A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Contudo, é a atividade ética que materializa tanto a cidadania quanto a qualificação do indivíduo pois são construídas e refletidas pelas suas práticas e ações diárias.

Os princípios éticos nascem de um sentimento social com a apregoação do respeito, da honestidade e da solidariedade aos seus semelhantes. O progresso humano se dá a partir da valorização do trabalho, da fraternidade e principalmente da liberdade. Dessa forma a ética vai interferindo, orientando e conduzindo o homem ao cumprimento de sua função social e, consequentemente, de sua cidadania. O comportamento do indivíduo em sociedade deve ser ajustado buscando sempre um desempenho virtuoso em prol do bem comum.

Quando uma pessoa preocupa-se em praticar o bem, fazer o certo e ser justo em suas ações na própria comunidade, a prática do dever individual e social se consolida. É essa homogeneidade do trabalho executado que habilita o exercício da cidadania em meio a classe social que o homem pertence.

Sabe-se que em todas as áreas representativas das atividades humanas há o código de ética que regulamenta as relações profissionais. São “Conselhos” normativos que exigem uma atuação democrática e responsável, instrumentos formais que regem notadamente as profissões e as relações, tanto com a categoria quanto com a sociedade. O código de ética de cada profissão tem como objetivo a formação da consciência profissional à respeito dos padrões de conduta.

Entende-se, portanto, que o principal papel da ética, como ciência, é orientar a conduta humana e propiciar o regulamento comportamental da vida em sociedade para que essa possa viver plenamente bem. Em resumo, a ética é também uma ponte estruturante que possibilita ao indivíduo, acesso à cidadania, além de tentar freiar o egoísmo, a desonestidade, a discriminação, as irracionalidades entre outras.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após refletir-se sobre o tema, percebeu-se a grandeza de sua importância e o imensurável valor de sua conduta inserido nas ações humanas no dia a dia. Conduzir uma missão ou exercer uma atividade que a sua profissão lhe propiciou sem, no entanto, considerar os princípios éticos e morais de sua conduta, seria mera contradição de um juramento que deixou de cumprir com as suas normas.

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Torna-se necessário que se reflita no sentido de que novas ações sejam realizadas com o intuito de tornar as pessoas mais sensíveis, mais responsáveis e mais conscientes das atividades que praticam em qualquer espaço da vida. O individualismo e a ganância pelo poder vem quebrando valores, burlando regras e eliminando o verdadeiro sentido da ética e da moral diante da sociedade.

A ética na educação torna-se concebida a partir do momento em que os valores forem considerados e o exercício profissional um propiciador de ações humanizadoras. A sociedade vem exigindo dos indivíduos uma postura aceitável com ações e responsabilidades que possam, de fato, oferecer respostas que sinalizem a mais perfeita harmonia para o bem estar social. E, para que isso se concretize, a ética deve estar impregnada nas ações realizadas no dia a dia, nas mais diversas áreas e nas mais distintas profissões.

Certas classes sociais e políticas relegam a ética, quebrando valores e burlando princípios em prol do individualismo, ignorando-a e desnorteando-a do seu sentido. No entanto, é preciso que se discuta conceitos e dialogue as discrepâncias existentes entre sujeitos e sociedades, com o intuito de abolir-se as práticas errôneas do cenário que vivencia. O sentido da solidariedade, da consideração e do respeito parece escassearem, tendo em vista que a dedicação absoluta passou a ser exclusiva do próprio “eu”.

REFERÊNCIAS

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 13ª ed. São Paulo: ática, 2002.

Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988.

CORTELLA, Mário Sérgio. Qual é a tua obra? Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética. 9ª ed. – Petrópolis, R J, Vozes, 2010.

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN / Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996.

Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, p. 29-30, 2001.

RIOS, Terezinha Azeredo. Ética e Vida Social. Programa de formação de professores em exercício. Módulo I, Unidade VI. Identidade, Sociedade e Cultura, 4ª ed. Brasília: MEC/FUNDESCOLA, 2002, p. 53-73.

SOUZA, Sônia Maria Ribeiro de. Um outro olhar: filosofia. São Paulo: FTD, 1995.

VAZQUEZ, Adolfo Sanches. Ética Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 24ª ed., 2003.

[1] Formado em Normal Superior pela UESPI (Universidade Estadual do Piauí), Pós-graduado em Supervisão Escolar pela Faculdade de Teologia Hokemãh – Fateh e Mestrando em Educação pela Anne Sullivan University

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A Importância do Uso das TICS Na Educação .. Durante muitos anos a sociedade passou a viver uma série de transformações, desde a criação dos computadores pessoais, um novo conceito surgiu, devido a essas novas tecnologias da informação, que foram absorvidas em todos os seguimentos da sociedade e principalmente na educação, uma grande mudança no modo de ensino e aprendizado.. Por isso utilização das (TICs) é muito importante nos dias de hoje, pois elas auxiliam e ajudam no raciocínio e aprendizado dos alunos.. São inúmeras as possibilidades quanto ao uso dessas novas tecnologias, o professor passa então a interagir com os alunos e colegas e são levados a transformar todas essas informações em conhecimento.. Portanto estas mudanças têm proporcionado uma revolução, ocasionada pelo uso das (TICs), isso tem levado ao ser humano a se comportar de uma maneira diferente do que já era de costume, desencadeando uma série de reformulações, tanto na sociedade contemporânea como também nas escolas, principalmente quanto a utilização dessas novas práticas no modo de aprender e a ensinar.. Isso nos despertou o interesse em problematizar e refletir sobre a importância, quanto ao uso das tecnologias da informação e comunicação (TICs) na educação.. Na obtenção dessas respostas baseadas na metodologia de pesquisa bibliográfica com auxílio dos autores: Mercado (2002), Mercado (2006), SERAFIM, Maria Lúcia; SOUSA, Robson Pequeno (2011) e Kenski (2007). 2.3 a importância do uso das (TICs) na educação.. Concordo com os autores SERAFIM, Maria Lúcia; SOUSA, Robson Pequeno (2011, p.24), quando dizem: “Na educação contemporânea o professor não é visto como a fonte de todo conhecimento e o conhecimento não é um objeto, algo que possa ser transmitido do professor para o aluno” […].. Até hoje, muitos professores não atentam para que os alunos participam e se desenvolvem durante o seu dia-dia, um filme visto, algo interessante pesquisado na internet, leitura de um jornal, demais mídias e etc… Os recursos tecnológicos são muito importantes para educação, pois através destes, as informações são processadas de uma melhor forma e em menos tempo.. As TICs estão cada vez mais sendo utilizadas, auxiliam os professores a interagir com os alunos e colegas nas salas de aula.. Torna-se essencial que as escolas desenvolvam o seu papel que é de educar e ensinar, aplicando o uso de ferramentas certas quanto ao uso das TICs em todo o processo educacional.. Isto favorece as instituições, pois o acesso a essas tecnologias, são compartilhadas entre os professores, alunos e colegas na internet, sites e redes sociais.. Centro Regional de Estudos para Desenvolvimento da Sociedade da Informação, (Cetic.br).

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Resumo O artigo discute o campo e o núcleo de saberes e de práticas da saúde coletiva a partir de um metodologia dialética, pensando-a para além do positivismo e do estruturalismo e fazendo uma crítica à sua tendência de assumir posição de transcendência sobre o campo da saúde.. Busca-se, portanto, um método de reflexão para analisar a saúde coletiva não somente baseado em a priori teórico, mas também em compromisso concreto com a produção de saúde, já que a produção de saúde é função e finalidade essencial sem a qual não se está autorizado a falar em trabalho em saúde.. O apoio aos sistemas de saúde, à elaboração de políticas e à construção de modelos; a produção de explicações para os processos saúde/enfermidade/intervenção; e, talvez seu traço mais específico, a produção de práticas de promoção e prevenção de doenças.. Nessa perspectiva, a missão da saúde coletiva seria a de influenciar a transformação de saberes e práticas de outros agentes, contribuindo para mudanças do modelo de atenção e da lógica com que funcionam os serviços de saúde em geral.. Cidades saudáveis tem denominado este modo de produção referente à promoção à saúde (WHO,1991); b) vigilância à saúde voltada para a promoção e prevenção de enfermidades e morte; c) clínica e reabilitação em que se realizam práticas de assistência e de cuidados individuais de saúde e d) atendimento de urgência e de emergência, em que práticas de intervenção imediatas, em situações limites, evitam morte e sofrimento.. A saúde, mesmo quando entendida como um bem público, ou seja, quando lhe é socialmente retirada o caráter de mercadoria, como acontece no Sistema Único de Saúde, já que é produzida como um direito universal e não em função de seu valor de troca, mesmo nestes casos, ela conserva o caráter de valor de uso.. O que se argumenta é que caberia aos trabalhadores e aos usuários, a partir de seus próprios desejos e interesses, apoiando-se em uma teoria sobre a produção de saúde, tratar de construir projetos e de levá-los à prática; objetivariam então a concretização de determinados valores de uso, expressos sob a forma de necessidades, bem como dos meios necessários para atendê-las.. Concluindo, é preciso investir não somente dimensão corporal dos sujeitos conforme tradição da saúde pública (vacinação, por exemplo), mas também pensá-los como cidadãos de direito e donos de uma capacidade crítica de reflexão e de eleição mais autônoma de modos de levar a vida.. Nesse sentido, a atual ênfase da saúde pública em combater determinados estilos de vida (WHO, 1991), ainda que aparentemente reconhecendo a existência de pessoas concretas, não deixa de ser uma forma moralista e normativa de abordagem, já que os grupos a quem se destinam essas intervenções não são incorporados na construção ativa de modos de vida.

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Author: Sen. Ignacio Ratke

Last Updated: 09/25/2022

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